O último toque dos gigantes

Brasil

Laudelino Lima

Publicado em 18/02/2020

Quem não lembra o último abraço do velho pai. Daquele beijo da saudosa mãe. Daquele abraço do amigo que se foi ou até mesmo daquele sorriso da criança que o destino lhe tomou? São lembranças dolorosas. Não sabíamos que seria a última vez. Não foi especial. Tínhamos algo mais importante para fazer. Simplesmente seguimos em frente sem saber que aquele havia sido o fim entre vocês. O último ato. As cortinas se fecham em silêncio às suas costas. Não há efeitos especiais. Não há músicas. Acontece sem que possamos perceber.

Foram encontros casuais que terminam mornamente, mas que o tempo como caprichoso transporte para o destino, inescapavelmente nos conduz em linha reta para os Campos Elíseos. É a última estação. Desembarcamos. É o fim. Não há outra oportunidade. Todas as palavras foram ditas. Todos os gestos foram realizados. Tudo foi feito. Se foi insuficiente, já não há mais recurso. Não há mais tempo para quem entra na eternidade.

É o ponto final de uma história que vai continuar ecoando, mas que perde seu volume a cada novo pôr do sol. No futuro, seremos apenas uma foto em algum canto de uma casa. Depois, nem isso. Já saberão muito pouco de nossas vidas para logo a seguir mal conseguirem explicar quem eram aquelas pessoas naquela antiga foto que já se perdeu. Essa é a sina de uma pessoa comum. Mas não de pessoas extraordinárias.

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