O Poder e seus amigos

Comportamento

Ricardo da Costa

Publicado em 28/01/2020

Desde que o bispo João de Salisbury (1120-1180) escreveu o que hoje se considera o primeiro tratado de filosofia política, chamado de Policraticus (1159), o Ocidente aprendeu que o poder fascina, o poder seduz, o poder atrai e, por isso, é cercado por cortesãos – na terminologia contemporânea, bajuladores. Nas palavras do povo, puxa-sacos. Trata-se, recordo, do pior tipo da espécie humana, pois tem o poder de ajudar a transformar o bom governante em um tirano (os tiranos sempre estão cercados de bajuladores. Por isso, nunca sabem se são amados).

Vou contar rapidamente um “causo”. Recentemente, em minhas peregrinações pelo poder tupiniquim, tive o desprazer de me deparar com um cortesão. Com uma. A palavra é reveladora: cortesã, mulher que seduz, favorita (ou que pensa ser), que vive na opulência e no luxo. Aduladora.

Pois bem. Ávida, dizia a sicofanta ser amicus maximus da presidência e de seu staff; impositiva, demandava cargos; rude (nos tristes tempos atuais, quem não o é?), exigia submissão. Tudo isso porque, menos de vinte e quatro horas antes de sua ligação telefônica da capital do mundo (Nova York, como Roma o fora na Antiguidade e, na Idade Média, Paris), havia eu sido convidado para um cargo razoavelmente importante – no Brasil, é necessário, traduzamos: posto que administra dinheiro. Uma considerável quantia do vil metal. Em nosso país, aliás, só nos mexemos realmente por dinheiro. Mas, pensando bem, nos dias atuais – o tempora, o mores – o mundo, cada vez mais, só se mexe pelas malditas 30 moedas de prata (Mt 26, 15).

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