A Cultura e a incultura brasileiras

Cultural

Ricardo da Costa

Publicado em 24/12/2019

O maior dilema do governo Bolsonaro se encontra na Cultura. Mas antes: o que é Cultura? Definição difícil, porque se refere a tudo: hábitos, alimentação, linguagem, vestuário, expressões materiais – arquitetura, pintura, escultura – e imateriais – música, filosofia, literatura... De fato, para tornar mais complexo o problema, só entendemos plenamente nossa cultura quando nos distanciamos dela. E fisicamente (só entendi o que é ser brasileiro na Alemanha, quando, em 1999, fui estudar paleografia catalã medieval na Universidade de Freiburg im Breisgau: foi uma verdadeira autoanálise!). Assim, estamos submersos na Cultura, em nossa cultura, em nosso cadinho.

Até o surgimento dos estados modernos, a Cultura Ocidental sempre foi apanágio da Igreja Católica – medieval – verdadeira propulsora das artes. Herdeira dos romanos, dos mecenas. De Mecenas (c. 70-8 a. C.), tataravô do patrocínio cultural. A seguir, dos nobres europeus. Finalmente, dos estados. No séc. XX, dos socialistas – que infelizmente instrumentalizaram as artes e as direcionaram para a revolução. Entrementes, todo esse processo histórico-cultural fez da Cultura o espaço da civilidade, da cortesia, da polidez. Da civilização.

Conteúdo exclusivo para assinantes

Para continuar lendo e ter acesso a esse conteúdo exclusivo, assine clicando abaixo.

Assinar