A guerra cultural e a Guerra nas Estrelas

Cultural

Max Cardoso

Publicado em 17/12/2019

No ano de 1977, a cultura mundial foi chacoalhada por um impactante fenômeno de massas com a estreia do primeiro de uma longa série de filmes da franquia Guerra nas Estrelas , dirigido por George Lucas. O sucesso comercial, de tão estrondoso, permite-nos dizer, sem exageros, que a história do cinema passou por uma transformação tanto de narrativa quanto de produção. Todo a cultura pop da década de 1980, assim como das décadas posteriores, sofreu influência de Star Wars, e o mundo ocidental passou a cultivar suas referências.

Seria uma ingenuidade pensar que a trilogia original de filmes está isenta dos problemas da cultura de sua época. Na realidade, os filmes estavam perfeitamente inseridos em tudo que se falava naquele contexto. A influência das "filosofias" new age estão bem presentes naqueles filmes, uma espécie de elevação da mente a partir de um tipo de meditação, emulando um pouco as doutrinas orientais que se popularizaram no Ocidente a partir da década de 1960. Essas práticas haviam começado a ser adotadas por muitos como um substituto das religiões tradicionais. Era o gérmen da construção do que foi chamado depois de religião universal*.

Aqui, encontra-se uma primeira inflexão da cultura ocidental no Século XX: o abandono das grandes tradições religiosas, principalmente do cristianismo, pelas chamadas filosofias de vida orientais, o cultivo de exercícios mentais, técnicas de meditação e tudo o mais que pudesse levar o individuo a alcançar um estado de paz de espírito e de comunhão com a natureza. Esse tornou-se o ideal máximo possível para uma "vida religiosa" digna de um homem do século passado.

Conteúdo exclusivo para assinantes

Para continuar lendo e ter acesso a esse conteúdo exclusivo, assine clicando abaixo.

Assinar