Rerum Novarum, socialismo e família

Comportamento

Tom Martins

Publicado em 17/07/2019

Qual o remédio ofertado para a miséria humana ou para os males da ganância? A questão derivará para outro polêmico tema filosófico: o mundo material seria um poço rochoso de injustiças? Parece-me que do ponto de vista exclusivamente materialista, a resposta seria positiva. Contudo, se admitirmos uma lei transcendente de causa-e-efeito como uma premissa, a conclusão seguirá por senda diversa.

A postura fraterna entre os cidadãos foi colocada como base do altruísmo e como uma via de solução para a problemática da miséria. Interessantemente, a Encíclica condenou a solução socialista, considerando-a fomentadora do ódio e da inveja. De fato, a eliminação da propriedade privada traduz-se no desejo de tomar para si o fruto do trabalho alheio. Não tive argumentos racionais para contradizer a poderosa conexão entre socialismo e injustiça, oriunda do sombrio sentimento de inveja das posses ou dos méritos alheios.

A respeitável Encíclica também enfrentou, corajosamente, as consequências da eliminação da propriedade privada. Vejamos: “Assim, essa conversão da propriedade particular em coletiva, tão preconizada pelo socialismo, não teria outro efeito senão tornar a situação dos operários ainda mais precária, retirando-lhes a livre disposição do seu salário e roubando-lhes, por isso mesmo, toda a esperança e toda a possibilidade de engrandecerem o seu patrimônio e melhorarem sua situação”.

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