A automutilação, o real e o suicídio do coach

Comportamento

Carlos Maltz

Publicado em 26/11/2019

É real. Né? – Ela disse.

Minha paciente estava chocada. Não tanto com o ato em si – o suicídio de uma pessoa – que me parece chocante e triste por si, mas pelo sujeito do mesmo. O cara tinha tudo – ela disse – tudo o que alguém pode desejar: era rico, magro, “sarado”, pegador. Só namorava com minas ricas, magras, saradas, pegadoras... Era cheio de seguidores no Face, no Instagram. Só falava coisas maneiras, positivas. Até morava em Miami... O que mais alguém podia querer? Por que ele fez aquilo? O que pode levar uma pessoa que tem “tudo” o que nossa civilização pós- pós-pós-moderna tem a oferecer de melhor, a acabar com a própria vida? E o pior de tudo: o cara era coach. Ou seja, era alguém que ficou rico, magro, sarado e pegador ensinando as pessoas a serem ricas, magras, saradas e pegadoras. O que pode ter dado errado?

Fiquei sem resposta. Sou de um tempo em que um cara decente ainda tinha vergonha de sair por aí despejando um caminhão de chavões politicamente corretos em cima das pessoas. Discutir o suicídio é sempre encrenca.

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