Um penetra chamado plural

Cultural

Yuri Brandão

Publicado em 26/11/2019

Muitos são os juízos equivocados que os usuários do idioma e até mesmo profissionais da área emitem sobre Língua Portuguesa Brasil afora. Telefona-me pela manhã um primo para perguntar se, numa petição judicial, poderia pluralizar os nomes próprios. Dado o contexto, ele defendia que sim; o sócio, um advogado formado também em Letras, garantia que "jamais" — assim mesmo, com a convicção indubitável dos sabidos, nem sempre sábios. Meu primo, que já acordara meio virado, ficou deveras puto da vida com o tom e com a explicação do sócio (suponhamos que tenha havido uma). Chego já lá.

Euclides da Cunha, no capítulo III (“O cambaio”) de Os Sertões, adverte que “Naquela hora matinal a montanha deslumbrava [ofuscava]”. Antes, todavia, que o bom senso entre os dois sócios fosse ofuscado pela montanha da vaidade e pelo vulcão da intolerância, despertando assim “fulgores vivos de armas cintilantes, como se em rápidas manobras forças numerosas se apercebessem [se preparassem] para o combate”, pedi calma e serenidade. Afinal, se ambos tinham de assinar aquele documento judicial, haveriam de chegar a um denominador comum.

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