Covid-19 e a busca de sentido

Comportamento

Robson Oliveira

Publicado em 11/05/2021

Viktor Frankl é reconhecido por forjar uma das frases mais emblemáticas de nossos tempos. Diante dos absurdos do regime nazista, disse o fundador da Logoterapia: “Quem possui um para quê para viver, suporta quase todo como - who has a why to live for can bear with almost any how” (FRANKL, 1984, p. 97). É evidente o sentido da frase: a causa final que dá sentido à vida humana é capaz de emprestar força e resiliência incomuns aos homens, ainda que sofram em situações de desumanização máximas, como aquelas do regime Nazi. 

De fato, a crise pandêmica provocada pelo vírus chinês constitui mais uma prova incontestável da verdade deste aforismo. Em razão da carência absoluta de sentido para a própria vida, homens e mulheres estão de joelhos, amedrontados diante de um vírus microscópico. Por causa da total falta de significado para a própria vida, civilizações inteiras permanecem ridiculamente acorrentadas aos bens materiais que amealharam, justa ou injustamente, durante toda a vida, temendo com todas as forças que os prazeres desta vida material lhes sejam negados inesperadamente. Como crianças amedrontadas, mantêm os olhos vidrados naqueles objetos que deveriam saciar-lhes a mente e o coração, deveriam emprestar-lhes paz e serenidade, mas que agora causam somente apreensão e tristeza.

O diagnóstico necessário deste estado de coisas é que a crise de sentido, isto é, a falta de significado para a própria vida é a causa próxima e eficiente do estado lastimável na qual estão lançados os homens do século. E, portanto, não haverá saída enquanto não se retomar o vínculo espiritual de que o homem se ressente, não será possível reconstruir as civilizações enquanto não se reformar a alma humana e suas raízes. Neste momento, o brado antirreligioso grita no interior do homem “o Estado é laico”: “Anátema! Frankl quer impor a religião às sociedades por meio da noção de ‘busca de sentido’. Sentido é uma forma de batizar o conceito de religião, dizem os antirreligiosos, para impor ao estado laico uma compreensão religiosa da vida”. 

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