Duas guerras

Brasil

Alberto Alves

Publicado em 10/05/2021

Na guerra contra o tráfico de drogas no Rio de Janeiro, a chacina do Jacarezinho veio para demonstrar que essas operações policiais são absolutamente desnecessárias. A Polícia entra na casa de morador sem mandado expedido e, quando não mata, esculacha e prende apenas negros e pobres. Se fosse no Leblon, bairro nobre da cidade, a Polícia certamente não chegaria atirando. O narcotráfico se combate é com inteligência, e não com operações policiais. Além do mais, nada disso aconteceria se as drogas fossem liberadas no país. 

Esses são apenas alguns dentre os vários argumentos utilizados pela esquerda para tentar cooptar as mentes incautas que acompanham os noticiários sobre a violência no Rio de Janeiro. São duas guerras que estão sendo travadas em nosso país: uma contra o crime organizado e a outra contra a desinformação, típico de regiões em conflitos militares assistidos mundo afora. É como bem disse certa vez o ex-militar Rodrigo Rodrigues Pimentel, mais conhecido como Capitão Pimentel: “A situação do Rio de Janeiro hoje é exatamente igual à situação do Exército americano que enfrenta o ISIS na Síria. (…) Não são bandidos (...), é um grupo armado que domina um território e, a partir daí, nós temos que mudar toda a nossa forma de pensar.”

Desde os anos de 1980 e 1990, quando o então governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, disse que o crime organizado ganhou força no Rio de Janeiro, alegando que a Polícia tinha virado uma instituição a serviço das elites, e que "a polícia não vai trabalhar para banqueiros", Brizola desfez a operação Apolo, uma das mais eficientes operações contra roubos a bancos da época. Além disso, ele também proibiu as operações com helicópteros nos morros e favelas, bem como aquelas realizadas por terra, o que possibilitou que o crime organizado ditasse as regras nas comunidades a partir de então.

A situação se arrefeceu depois das megaoperações durante as ocupações do Complexo do Alemão em 2010 e da Rocinha em 2011, mas voltou e se fortaleceu após a decisão do ministro do STF, Edson Fachin, de proibir que as operações policiais em favelas durante a pandemia fossem realizadas, numa decisão sem qualquer critério específico quanto à sua excepcionalidade. Agora o efetivo dos criminosos no Rio já tem mais de 56 mil criminosos em liberdade. Isso é mais que o efetivo da Polícia Militar, que tem cerca de 44 mil policiais segundo um relatório da Polícia Civil encaminhado ao Ministério da Justiça e ao STF em agosto do ano passado.

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