Satanás é poliglota

Brasil

Robson Oliveira

Publicado em 04/05/2021

Há certo romantismo com relação ao nível cultural do período medieval. Acredita-se que esta época constituiu um oásis de intelectualidade, somente equivalente aos tempos clássicos. A verdade é que, culturalmente, a Idade Média comporta um período incrivelmente grande (mais ou menos 1.000 anos) cuja abordagem não pode ignorar fases distintas e com relevância muito díspar. E, como ocorre em todas as épocas, a genialidade era rara.

Equivoca-se quem imagina ter o homem medievo contato frequente com a literatura clássica e com o espírito aberto e sedento da verdade, como Platão e Aristóteles. Na verdade, o conhecimento da língua grega, por via direta, só se alcançou no século XIII (o acesso antes deste período ocorreu de modo indireto, por meio dos árabes). Até então, conheciam-se poucas obras de Platão e muitas delas por meio de seus discípulos. E aqui se coloca a questão de fundo: mesmo quando se teve acesso aos textos gregos, não se conseguiam avanços filosoficamente consideráveis. Não se engane, pois, o leitor: não basta saber grego para adentrar nas questões de relevância da humanidade. É preciso também saber filosofia. 


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