Brasil: dois caminhos da esquerda e o descaminho da direita

Brasil

Paulo Moura

Publicado em 03/05/2021

Em pleno século XIX, quando a Revolução Industrial vivia seu auge e as descobertas da ciência encantavam o mundo, Marx atribuiu à sua teoria da história caráter científico. Materialismo dialético ou materialismo científico era a forma como nominava sua teoria, cujo fundamento baseava-se em afirmar que a história se move por rupturas provocadas pela luta das classes sociais pela distribuição da riqueza socialmente produzida.

O sentido do processo histórico, segundo os marxistas, é o de uma marcha inexorável em direção ao comunismo. O comunismo seria o fim da luta de classes e, portanto, o fim da história, já que inexistindo desigualdade, desapareciam os motivos para os conflitos entre as classes.

Como não seria possível passar do capitalismo ao comunismo diretamente, se faria necessário um período de transição, o socialismo, no qual conviveriam “restos” de capitalismo (pequenas propriedades, propriedades cooperativadas, etc.) com atividades econômicas estatais, de modo que as desigualdades fossem desaparecendo gradativamente até a chegada do ideal comunista. Nesse período os comunistas e seu partido único seriam os distribuidores da riqueza. Na prática, a teoria se revelou outra e os distribuidores passaram a se apropriar de parte da produção para uso próprio. Mas esse, embora seja um dos erros mais evidentes de Marx, é assunto para outro artigo.

O caráter supostamente científico dessa teoria provinha do estudo das revoluções burguesas dos séculos anteriores, todas de certa maneira espontâneas no sentido de que resultaram de rebeliões populares com a subsequente tomada do poder pelas forças revolucionárias sem que por trás desses movimentos houvesse um método, um planejamento e um partido. 

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