Manta cor de rosa

Cultural

Letícia Dornelles

Publicado em 03/05/2021

Quando decidi engravidar e comecei a fazer o tratamento hormonal, fui passear em Gramado.  

Em meio a tantas lojas lindas com artigos para bebês, me deparei com uma manta de inverno cor de rosa. Parecia feita por vovó, com aquele carinho de mãos calejadas pela vida. Olhei para a vitrine já imaginando um bebê ali enroladinho. A manta praticamente me pedia para ser levada. Loja de bebê tem aquele cheirinho típico que já faz qualquer mulher entrar no clima da maternidade. 

Não gosto de rosa. Mas a manta era realmente linda. Cedi ao impulso e comprei. Cheguei em casa e guardei a manta numa gaveta. Tinha esquecido dela.  

O tempo passou. Engravidei. Mas perdi o primeiro bebê aos três meses de gestação. O coraçãozinho parou de bater e eu soube num exame de rotina. Foi traumatizante. Sangrei por dois meses. Quase morri. De tristeza, de anemia, e por perda de tecidos do útero. Médico relapso. Já contei no texto “Coraçãozinho”, publicado aqui mesmo.  

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