A derrota do mosquito

Cultural

Leônidas Pellegrini

Publicado em 19/04/2021

A cidadezinha estava com dois mil casos de dengue, indo para dois mil e cem, na verdade. O Rei Dengue, gordo e pomposo, desfilava com orgulho por seus domínios, sorridente, visitando cada casa de seus súditos, cada vaso, piscina velha, prato, pneu etc, feliz e bonachão olhando as maternidades cheias de ovos e larvas que seriam o futuro de seu povo (espírito pró-vida, o monarca incentivava intensamente a fertilidade e a reprodução entre os seus). Com os inimigos ocupados em combater uma tal praga vinda do Oriente, eram tempos de paz, alegria e prosperidade para o reino, enquanto mais e mais pessoas adoeciam de dengue. 

Aquela paz, no entanto, não haveria de durar. Certo dia, apresentou-se ao Rei um gordinho espinhudo, emissário do General Covid, trazendo uma declaração de guerra. Indignado com tamanha empáfia, o monarca mandou prender e esquartejar o mensageiro, cujos pedaços enviou de volta em desafio ao General. Logo em seguida, convocou seu conselho militar, consultou seus generais e capitães, reuniu suas tropas, abriu recrutamento de milícias voluntárias, armou e treinou cada mosquito do reino apto para as batalhas. Estavam oficialmente em guerra contra um inimigo desconhecido.

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