A estranha moderação do Cardeal

Comportamento

José Carlos Sepúlveda da Fonseca

Publicado em 19/04/2021

O Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, prima por ser uma figura pública discreta e de aparência moderada. Quem teve a oportunidade de assistir, no último dia 12 de abril, à sua participação no programa Roda Viva, da TV Cultura, pôde confirmar esta impressão. Impressão reforçada pelos tradicionais trajes cardinalícios, que o Cardeal de São Paulo envergava, na entrevista, dada à distância.

Mas a aparente moderação esconde, na maioria das vezes, um discurso alinhado com o progressismo católico e com o esquerdismo político. Suas respostas no programa denotaram uma abordagem na maior parte das vezes vaga e superficial, dando origem a mal-entendidos.

Foi assim, por exemplo, quando indagado a respeito da Teologia da Libertação ser uma “página virada” para a Igreja. Dom Odilo afirmou que “depende” e que não estamos mais nos anos 80, embora muitos dos problemas permaneçam os mesmos. Ainda acrescentou que “muitas vezes aquilo que é identificado como Teologia da Libertação de facto não é Teologia da Libertação, é ensino social da Igreja, patrimônio constante, secular do ensino da Igreja em relação à justiça social, em relação à dignidade humana”. A resposta é de molde a reforçar a confusão que já reina em muitos ambientes católicos, pois a Teologia da Libertação está longe de ser uma página virada na Igreja, uma vez que prossegue seu caminho de erros e vai radicalizando, cada vez mais, suas heresias teológicas. Além disso, o Purpurado não recordou as condenações da Santa Sé a tal teologia, procurando aproximá-la do ensino social da Igreja e pareceu esquecer que tal teologia continua a ser ensinada em diversas Pontifícias Universidades Católicas, além de seminários.

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