A chave do mundo

Comportamento

Letícia Dornelles

Publicado em 12/04/2021

Senti claustrofobia pela primeira vez na vida. Pensei que fosse desmaiar. Não foi num elevador, nem numa sala escura.  

Eram dez da manhã. Dia ensolarado. Janela aberta na sala onde eu trabalho. Um lindo Jardim de 9 mil metros quadrados do lado de fora. Passarinhos. Flores. Frutos. Sons de crianças brincando. Um paraíso em meio ao caos. A vida parecia normal.  

Eu estava com dois colegas de trabalho numa pequena reunião sobre projetos. Todos de máscara. Eu falava muito, provocava aquele ventinho entre a boca e a máscara. O cheiro do tecido da máscara misturado à minha própria respiração foi me afligindo. Meu nariz parecia travar. Minha garganta ficou seca. Uma dor de cabeça. Eu já não conseguia me concentrar na fala das outras pessoas.  

De repente, comecei a sufocar. Meu coração bateu acelerado. Ficou tudo nublado por alguns instantes. Parecia que a minha respiração tinha travado. Lembrei dos sintomas da Covid. O coração bateu ainda mais rápido. O desconforto aumentou.  

Sabe quando você está mergulhando, demora um pouco mais submerso e sufoca? Tem que voltar à tona da água do mar ou da piscina. Mesmo no chuveiro, se você fica muito tempo debaixo da água, gera um certo desconforto respiratório. Eu estava exatamente dessa maneira: sem ar. Como que submersa.  

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