Ficção e realidade

Cultural

Letícia Dornelles

Publicado em 05/04/2021

Sou escritora, jornalista, dramaturga, novelista, membro da Academia de Artes e Letras de Goiás, membro da Academia de Artes do Rio Grande do Sul, presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa e membro titular do Conselho Nacional de Políticas Culturais. Vivo a Cultura em diversas nuances ao longo de minha jornada profissional. Há 2 anos, atuo como gestora pública. 

Gosto de falar. Às vezes, falo pela boca de personagens. Crio emoções e relações humanas, crio filhos que não são meus, faço casais se conhecerem, se amarem, viverem felizes até que a próxima novela os separe e então conheçam novos pares. Talvez sejam inimigos na próxima trama. 

Nos diálogos, mando recados, crio bordões, gero empatia, faço chorar, instigo ranços, dou risada junto com as frases bem-humoradas que, no dia seguinte, alguém que assistiu na TV vai repetir na praia, no metrô, na conversa informal.

Trama boa é a que sabe dosar o drama e a leveza. A que tem conflitos interessantes. Família de margarina, perfeitinha demais, não gera interesse. Ninguém mais acredita na felicidade do Instagram. As pessoas sabem que pagando bem até o amor verdadeiro se compra. Nelson Rodrigues ensinou. Trama boa tem personagens tão reais que parecem algum conhecido nosso. Como se o público olhasse pelo buraco da fechadura das casas alheias e acompanhasse uma vida real e não uma vida imaginada por algum novelista. 

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