Desobediência pascal

Cultural

Leônidas Pellegrini

Publicado em 30/03/2021

I

Quando o jovem padre Max soube que pelo segundo ano consecutivo as igrejas seriam fechadas por um decreto estadual na ocasião da Páscoa, com o pretexto de se conter a disseminação da tal praga chinesa, revoltou-se. Mesmo sabendo que seria perda de tempo, mesmo sabendo qual seria o posicionamento da Diocese, foi conversar com o bispo, que já o esperava com o discurso pronto: são tempos difíceis, precisamos pensar na saúde dos fiéis, vidas em primeiro lugar etc. etc. etc. 

Saiu da sala do superior sem se despedir, ainda mais furioso. Foi à capela do Santíssimo orar e depois se confessou com o padre Sidnei. O colega sacerdote, que adorava presidir missas com muita música, cantoria, coreografias e micagens, também se lamentava:

- Pois é, meu amigo, depois de quase um ano com essas missas chochas, com pouca gente, todo mundo separado, espalhado, sem música ao vivo, só com aquelas gravações que dão um desânimo, agora eles fecham a igreja de novo. E que saudade dos teatrinhos com as crianças! Eu adorava dirigir o da Páscoa...

- Mas então – padre Max olhava inquieto o colega – a gente vai deixar por isso mesmo, não vai fazer nada? A gente abre a igreja, toca o sino, chama os fiéis, sei lá! A polícia não vai vir aqui pra prender padre!


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