Aposto ou adjunto adnominal?

Cultural

Yuri Brandão

Publicado em 08/10/2019

Nas salas de aula ou em colunas de Língua Portuguesa, oportunidades de aprendizado constante, podemos nos deparar com situações as mais diversas: desde o aluno e o leitor sinceros, que buscam dirimir dúvidas reais, até aquelas pessoas cuja finalidade da consulta é pôr à prova o profissional, mediante perguntas sutis, às vezes até capciosas, adrede formuladas para testar-lhe o conhecimento.

É verdade que as inquirições “de bolso” estão aí, desfilando com navalhas na mão em busca da primeira língua a ser calada. Como no conto "A mulher que passou", do romancista italiano Guido de Verona, em Primores do Conto Universal (São Paulo: Edigraf, 1964, organização de Jacob Penteado), não raro nos sentimos como uma das cunhadas de Rudi, quando este adentrara seu quarto de supetão e, tentando forçar-lhe uma resposta positiva e satisfatória, recebeu no rosto uma chaleira de água fervente — eis, porém, a cólera opaca da irritação que devemos evitar nos misteres da docência.

Se Prometeu roubou de Hefesto e Atenas o saber técnico, dando-o a nós, por que haveríamos de não responder, tanto quanto possível, a perguntas sinceras ou ardilosas e, assim, quem sabe, conquistar o respeito do interlocutor? Indagação mais difícil foi a de Leibniz: "Por que existe o ser e não antes o nada?", que o meio acadêmico só conheceu por Heidegger, que já herdou de Schelling, e não diretamente do autor de Novos ensaios sobre o entendimento humano.

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