Os fatos não importam mais – Parte 2

Comportamento

Alexandre Costa

Publicado em 08/03/2021

No artigo anterior iniciamos uma análise sobre o fim da importância dos fatos e a consequente dissonância entre o real e a sua interpretação. 

As narrativas que independem da realidade, a pós-verdade, a supervalorização e a glamourização da opinião são desdobramentos diretos e inevitáveis do relativismo e do politicamente correto. 

O relativismo surge como um amálgama de pequenos gestos que pareciam libertadores, mas que, com o tempo, tornaram-se instrumentos avassaladores a serviço da mentira e da covardia. Para aliviar a consciência de pessoas inseguras e intelectualmente frágeis, desviar de um confronto discursivo pode parecer uma espécie de liberdade e até mesmo de independência, mas o seu desenrolar sempre leva a becos sem saída, e até mesmo questões aparentemente banais transformam-se em imensos problemas insolúveis. Em outras palavras, relativizar tende a problematizar o desnecessário, sem oferecer qualquer possibilidade de solução – se nada é absoluto, nem mesmo esta sentença pode ser.

No início o politicamente correto se apegou a esse mesmo princípio falsamente libertador, e apoiado em aparentes substituições justas e solidárias, foi ocupando espaço no debate público, nas conversas privadas e por fim na mente das pessoas.

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