Entre a vida e a morte, um risco

Cultural

Yuri Brandão

Publicado em 01/10/2019

Há um ano, o então candidato Jair Messias Bolsonaro quase atravessou os umbrais da Eternidade. Conheceu bem de perto, pelas mãos do criminoso esquerdista Adélio Bispo, a lição de Guimarães Rosa segundo a qual “Viver é muito perigoso!”. Há, pois, um risco, que até hoje o ser humano Bolsonaro enfrenta a cada cirurgia de reparação ou mitigação das sequelas deixadas pela covarde tentativa de assassinato.

Mas esse risco é de vida ou de morte? O perigo mesmo, meu caro leitor, reside naquela mania que, em matéria de idioma, prolifera mais que piolho: há muita opinião e pouca ciência e tradição nos juízos sobre a Língua Portuguesa. Em tempos de redes sociais, com tantos especialistas em tudo, que de repente acordam com a missão divina de nos tirar da escuridão em que estávamos mergulhados, é preciso tomar cuidado para que os achismos, tais quais as lêndeas daquele inseto, não se reproduzam, cresçam e tomem conta do território.

Achava eu que as dúvidas e as discussões acerca da expressão risco de vida ou risco de morte já estivessem superadas. Qual o quê! Quando penso em descansar a “língua” enquanto tonifico os músculos e treino o sistema cardiorrespiratório, um instrutor da academia caçoa de um aluno que, referindo-se ao risco pelo qual passou o Presidente da República em mais uma recente intervenção cirúrgica, ousou falar em “risco de vida”, como se tivesse acabado de cometer um pecado — e do tipo capital.

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