As esquerdas brasileiras, o PT e a democracia

Brasil

Paulo Moura

Publicado em 01/03/2021

No artigo de hoje complemento o que abri na edição anterior da Revista Terça Livre, no qual abordei aspectos teóricos e práticos da relação (ou falta de) da esquerda com a democracia. Neste artigo vou trazer à luz a especificidade das esquerdas brasileiras no debate sobre esse tema.

Há um fio de continuidade que liga as origens da esquerda brasileira à esquerda internacional e aos pontos de vista teóricos predominantes entre as correntes socialistas no mundo, na época em que foi fundado o Partido Comunista Brasileiro (PCB) nas primeiras décadas do século passado (após experiência russa da chegada ao poder pela via revolucionária), tendo como base nas teorias de Lenin que inspiraram a tomada do poder pelo Partido Bolchevique russo em 1917.

Principal partido da esquerda brasileira até os anos 1960, o PCB já nasce vinculado aos pressupostos teóricos do marxismo-leninismo, característica que irá marcar, ao longo das décadas seguintes e até o surgimento do PT no final dos anos 1970, praticamente todas as demais organizações políticas da esquerda brasileira. A análise da trajetória histórica do PCB, precursor da esquerda brasileira, revela que nos anos 1950 esse partido, seguindo a teoria marxista clássica da luta de classes, entendia que enfrentamento armado de classe resolveria contradições da sociedade. 

Tendo como referência estes pontos de vista teóricos, o PCB não valorizava a participação política nas instituições democráticas, que qualificava criticamente como fazendo parte do que classificava como “democracia burguesa”, e defendia teses segundo as quais, a “libertação nacional” era pré-requisito para uma verdadeira democracia política.

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