Tarde em Itapuã

Comportamento

Letícia Dornelles

Publicado em 16/02/2021

Em dezembro, estava hospedada na Casa de Vinicius de Moraes, em Itapuã, Salvador, Bahia. 

Às seis da tarde, fui à piscina. Calor de 35 graus, água morna. 

Começou a tocar “Tarde em Itapuã”. O céu se coloriu de rosa e laranja. Vi o pôr-do-Sol por detrás dos coqueiros da Casa. 

Poucas vezes na minha vida senti-me tão conectada a um lugar. Uma paz, uma serenidade, uma leveza que fizeram parecer que o mundo era bom. Que não havia conflitos. Que não havia pandemia. Que não havia luta do bem contra o mal.

A Casa tem o violão de Vinicius, o velho calção de banho da música, fotos espalhadas com momentos de amor e amizade, a máquina de escrever com um papel e a letra de “Tarde em Itapuã”, imagens de santos e objetos íntimos. Parece que a qualquer momento Vinicius vai entrar, dizer alguma coisa engraçada, sentar na varanda, e ver o mundo girar após um copo de whisky.

Casas não são seres vivos. Mas guardam em suas paredes as emoções de quem ali viveu. Creio na energia dos lugares. Se você entra num espaço e sente-se em paz, é porque ali existe a paz de que você precisa. Na Casa de Vinicius, senti essa paz. E a alegria de quem viveu por anos uma história de amor e música no ar. 

Conteúdo exclusivo para assinantes

Para continuar lendo e ter acesso a esse conteúdo exclusivo, assine clicando abaixo.

Assinar