A economia a gente vê depois...

Economia

Alexandre Costa

Publicado em 16/02/2021

Volto ao tema Covid-1984, desta vez de outro ponto de vista, o econômico, ou melhor, o realista, que agora aparece escancarado até mesmo para quem insistia em negar o óbvio.

Não estava nos meus planos abordar esse tema no artigo desta semana, mas o impacto do que tenho presenciado nos últimos dias tornou quase obrigatório este texto, que pretende ser uma reflexão, mas que também pode ser entendido como um desabafo. 

Escrevo de Ubatuba, durante o Carnaval. Nesta linda cidade do litoral norte paulista, as consequências da irresponsabilidade, do descaso e da hipocrisia estão por toda parte. 

Para quem não conhece, Ubatuba é um dos municípios mais turísticos do estado de São Paulo. Quase toda economia está diretamente atrelada ao turismo, que sustenta dezenas de milhares de empregos diretos e indiretos. Como outras cidades com este mesmo perfil, aqui os negócios dependem essencialmente dos visitantes que gastam seu dinheiro na temporada, nos feriados e nos finais de semana. 

Desde os hotéis, pousadas, passeios, mercados, restaurantes e postos de gasolina, empreendimentos normalmente mais estruturados, até as mais simples iniciativas individuais ou familiares como os quiosques, barracas e demais vendedores da praia estão sendo devastados pela crise gerada pelo Covid-1984, especialmente pelas consequências de um enfrentamento covarde, burro e desumano por parte das autoridades estaduais e municipais. 

Desde que visitei pela primeira vez esta cidade, há exatos 32 anos, nunca senti o que acabo de presenciar.  Ruas vazias, comércios fechados ou às moscas – em pleno Carnaval, um dos feriados mais esperados do ano.

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