Educação brasileira: a hora de cobrar é agora

Brasil

Alberto Alves

Publicado em 16/02/2021

Escreveu certa vez o poeta português Fernando Pessoa: “Querer não é poder. Quem pôde, quis antes de poder só depois de poder. Quem quer nunca há de poder, porque se perde em querer”. Finalmente podemos antes de querer, porque temos a oportunidade de mudar os rumos da educação brasileira de forma efetiva através da cobrança para que o presidente da Câmara, Arthur Lira, aceite a proposta do Programa Nacional do Livro e do Material Didático – PNLD do Governo Federal. 

Para quem não percebeu a importância desse programa, é ele quem vai ditar os assuntos que serão abordados nos próximos anos nos livros didáticos do país, ou seja, vai determinar os rumos do mercado editorial brasileiro. Com efeito, isso forçará as escolas a voltarem a priorizar o conteúdo escolar tradicional ao invés de ficar promovendo pautas políticas militantes em sala de aula. É uma das promessas de campanha que elegeu o Bolsonaro, que estão sendo postas em prática, e que pode ser aprovada com uma simples “canetada” de Lira, ou pode ser modificada, caso a esquerda consiga reincluir assuntos relacionados a igualdade de gênero, homofobia, transfobia, orientação sexual nos livros didáticos através da tentativa dos deputados Tábata Amaral, do PDT, e Felipe Rigoni, do PSB, juntamente com o senador Alessandro Vieira, do Cidadania.

Na sexta-feira passada, dia 12, o Ministério da Educação publicou o edital do PNLD para a seleção de material a ser destinado a alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental¹. Ao invés de promover pautas que abram brecha para a doutrinação nas escolas – como temos visto nos últimos anos – esse novo edital busca conteúdos que promovam positivamente “a imagem dos brasileiros, homens e mulheres, e valorizar as matrizes culturais do Brasil, incluindo as culturas das populações do campo, afro-brasileira e quilombola”. Além disso, ele também busca “promover positivamente a imagem do Brasil e a amizade entre os povos, valores cívicos, como respeito, patriotismo, cidadania, solidariedade, responsabilidade, urbanidade, cooperação e honestidade, respeito aos mais velhos, em especial aos pais, aos professores e aos cuidadores, bem como aos colegas e demais pessoas do convívio social do estudante” tentando evitar, ou “abster-se de vieses político-partidários e ideológicos”. Ou seja, todo o padrão de conduta que se espera de uma escola tradicional, ao invés daquelas de conteúdo erótico travestido de respeito à diversidade, mas que promovem o “nós contra eles”, dividindo a sociedade e destruindo a nossa unidade como povo brasileiro.

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