As esquerdas e a democracia

Geral

Paulo Moura

Publicado em 15/02/2021

Esse artigo é o primeiro de dois que escrevo para a Revista Terça Livre com o objetivo de oferecer ao leitor leigo acompanhar a trajetória da esquerda mundial em relação ao que aqui chamarei de “questão da democracia”, isto é, o debate, ou ausência dele, no campo teórico e político ao longo da história, sobre o papel e a função da democracia nos regimes socialistas e comunistas. No segundo artigo da série refletirei mais detidamente sobre o caso específico do PT e da esquerda brasileira em relação a essa questão.

Este debate sobre a questão da democracia no Brasil tem origem na crítica proposta por intelectuais acadêmicos sobre o fracasso das experiências de luta armada da esquerda contra o regime militar nos anos 1960 e 1970. A discussão, portanto, não nasce a partir de uma necessidade sentida pelos partidos de esquerda. No PT, ele foi levado para dentro do partido através de intelectuais acadêmicos que participaram de sua fundação, marcadamente por Francisco Weffortque como se sabe rompeu com o partido posteriormente. 

Subjacente a essa discussão no seio das esquerdas brasileiras está o questionamento das estratégias de tomada do poder por vias não institucionais inspiradas na teoria leninista (insurreição das massas e golpe de Estado), maoistas (guerra popular camponesa), e nas teorias foquistas de Che Guevara e Fidel Castro (teoria das vanguardas de substituição e do foco revolucionário) que inspiraram a luta armada das esquerdas latino-americanas nas décadas de 1960 e 1970.

Por “questão democrática”, portanto, subentende-se a introdução entre os segmentos de esquerda do espectro político institucional brasileiro (e consequentemente do PT), do debate sobre a valorização da luta política pelas vias institucionais não-violentas, e por dentro das instituições políticas legalmente constituídas, nas estratégias de conquista do poder que substituíram a teoria marxista clássica da luta de classes (tomada do poder pela violência revolucionária) e suas variantes, cujos pressupostos apontam em sentido contrário.

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