Coraçãozinho

Geral

Letícia Dornelles

Publicado em 09/02/2021

Doze anos atrás, depois de um doloroso tratamento para conseguir ser mãe, eu engravidei. Foi uma alegria inexplicável. 

Aos três meses, chegou o dia de escutar o coraçãozinho. Sempre ficava ansiosa com os exames. Cada passo era devagar, medindo a calçada. Eu não ficava exultante, não cantava. Tinha receio de ver os resultados. A cada boa resposta, eu relaxava por mais alguns dias. 

Na minha mente, estava tudo bem com o bebê. O problema era eu. E a minha insegurança. Eu não podia tomar calmante. Tinha de encarar a situação tensa sem apoio de remédios. Eu sentia dor de cabeça. A médica tinha mandado diminuir a cafeína. Meu amado café estava limitado a uma xícara de 30 ml por dia. Que tortura. O café me desperta e evita a dor de cabeça. Foi a única proibição que me incomodou. 

Eu estava sozinha na clínica. Uma médica que eu nunca havia visto antes começou o ultrassom. Ficou tensa. Perguntei "o que houve?" E ela foi direta: "Não há batidas. O coraçãozinho parou". 

Eu tinha perdido o bebê. Aos três meses. 

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