Buquê no nariz

Comportamento

Letícia Dornelles

Publicado em 30/01/2021

Há situações extremamente constrangedoras.

Lembro de um casamento cuja noiva era uma amiga da época do colégio. Fazia muito tempo que não nos víamos. Até estranhei quando recebi o convite, mas decidi ir. Pensei na gentileza do gesto dela comigo. Foi emocionante vê-la entrar na igreja de braços dados com o pai.

Pensei no meu pai, que sempre sonhou com esse momento. Chegava a fazer planos: "a festa vai ser no clube tal."

Sempre choro em casamentos. A cerimônia é bonita. Imagino as emoções, os sonhos, as esperanças do casal e das respectivas famílias. Há muito em jogo. O relacionamento a dois não é simples. Creio que o casamento é mais do que um relacionamento a dois: a família dos noivos casa junto. Sem escolher, sem necessariamente estarem apaixonados uns pelos outros, sem terem sintonia.

Cumprimentei os noivos e já recebi o míssil da amiga: "Está encalhada? Desistiu de ter alguém? Filhos, então, nem pensar, né?" Na verdade, não foi um míssil: foi um bombardeio sem dó nem piedade. Em cima de mim, que estava desarmada.

Como assim? "Encalhada"? "Desistiu"? Vi que não seria uma festa de fácil digestão. Mas ainda tinha o segundo round.

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