Non Serviam: o brado moderno

Cultural

Robson Oliveira

Publicado em 05/01/2021

Dentre as mais importantes características da filosofia moderna está, sem dúvida, a profunda crise da noção de autoridade. Esta nota distintiva é importante e contaminou uma miríade de pensadores modernos e não poucos filósofos contemporâneos. O que poucos reconhecem é que tal suspeição decorre diretamente da reflexão cartesiana. Ainda se podem ouvir, saindo dos lábios de nossos contemporâneos apesar da distância de meio milênio, as palavras plenas de ceticismo de Renée Descartes:

Era necessário tentar seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões a que até então dera crédito, e começar tudo novamente desde os fundamentos, se quisesse estabelecer algo de firme e de constante nas ciências (DESCARTES, Renée. Meditações Metafísicas. São Paulo: Abril, 1973, p. 93).

Alguns dirão que o ceticismo cartesiano é apenas metódico, isto é, que não é verdadeiro, que apenas cumpre uma função no arcabouço teórico do autor. Mas este argumento se parece com aquele outro que garante ser a ameaça de morte do criminoso, apenas metódica, que no fundo tal bravata cumpre apenas uma medida pedagógica, que o meliante não quer matar o refém...

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