Erráticos

Geral

Leônidas Pellegrini

Publicado em 28/11/2020

A Novilíngua não para de surpreender! Sempre na ativa, são inúmeras suas contribuições para a involução da língua, tais como os mais diversos manuais de reeducação linguística (por exemplo, o opúsculo “O racismo sutil por trás das palavras”, editado e distribuído pela Secretaria de Justiça e Cidadania, e o Ministério Público do Distrito Federal, ou o novo teclado ‘inteligente” da TIM, que te sugere mudar palavras potencialmente “ofensivas”), a linguagem neutra, com seus sistemas ILE e ULO (é verdade, deem um Google e confiram!) e suas diversas “podas”, adaptações e substituições vocabulares, neologismos como “aglomerafesta” ,etc Eis que nesse caldo cultural tão precioso surge agora um novo e revolucionário (no sentido mais profundo e óbvio da palavra) esquema de eufemismo com uso do adjetivo “errático” (ou “errátique”, aos adeptos do Sistema ILE).

É bastante simples. Basta que você, de acordo com os interesses de sua própria narrativa, renomeie determinadas palavras, reforçando a substituição com o referido adjetivo “errático”. Por exemplo, você pega um criminoso que foi morto por seguranças de um supermercado e, porque ele era negro, cria toda uma narrativa de errático heroísmo, transformando um espancador de mulher em “marido errático”. Ah, sim, e como o sujeito tinha lá uma capivara em que constavam furto de veículo, assalto a pedestre, porte de drogas e ameaça, entre diversas outras atitudes erráticas, chamemo-lo de “cidadão errático”, e o coloquemos no altar dos ídolos revolucionários. Em breve, você poderá adquirir um moletom ou uma camiseta com uma foto desse errático mártir em um Carrefour pertinho da sua casa (assim que terminarem de limpar a bagunça deixada pelos manifestantes erráticos do BLM). 

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