A saída é para dentro

Brasil

Robson Oliveira

Publicado em 03/11/2020

Em sua obra inacabada, "A crise das ciências européias", o filósofo alemão Edmundo Husserl (1859-1938) forjou uma sentença que pode bem ser usada para iluminar o caminho que as correntes políticas nacionais estão percorrendo hodiernamente. Diz o filósofo:

"Na miséria de nossa vida, (...) essa ciência não tem nada a nos dizer. Em princípio ela exclui aqueles problemas que são os mais cadentes para o homem (...): os problemas do sentido e do não sentido da existência humana em seu conjunto".

Após passar pela guerra mais sangrenta de todas, a Primeira Guerra Mundial, Husserl está a advertir seus contemporâneos de que a ciência positivista, marcada pelo discurso tecnocrata, racionalista e estritamente progressista não conseguiu entregar a paz, a justiça, a bondade e a harmonia humana e social desejadas. Antes – e Husserl não tinha ideia disso – a mesma ciência positivista, marcadamente imanente e representada pela filosofia da ciência do Weiner Kreiss, entregou a bomba de hidrogênio, menos de 10 anos após sua morte.

Com efeito, a visão de Husserl não estava equivocada: ele percebeu que a prática científica de sua época, ao desconsiderar as questões mais importantes – que são sempre as questões humanas – estava a preparar apressadamente seu fim trágico. E este infelizmente chegou célere. De fato, o que proponho é que, caso o rumo não se corrija, caso não se tratem das questões de fundamento com zelo, caso as políticas públicas não se esforcem para construir um homem melhor e mais perfeito, o resultado da batalha pela qual passa a nação poderá ser semelhante àquele antevisto por Husserl: uma tragédia monumental. 

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