Covid-19 (84): De onde surgem as ideias

Comportamento

Alexandre Costa

Publicado em 03/11/2020

Aprendi com o Olavo de Carvalho que as ideias contidas na ficção costumam anteceder os fatos. Além de colocar em circulação a constatação de Hugo von Hofmannsthal, agora frequentemente repetida nesse contexto, que diz que nada acontece na política sem que esteja antes na literatura, Olavo aprofunda o conceito compactado nesta sentença e aprofunda a questão explicando o funcionamento e o alcance da influência do imaginário no cotidiano de uma sociedade.

Pegando a primeira onda Covid-19 como elemento de observação, podemos identificar alguns traços dessa influência nos acontecimentos, mas antes é preciso entender quais são os principais meios influenciadores.

O imaginário, resumindo de forma grosseira, consiste no (amálgama) de elementos culturais e sociais que paira sobre a sociedade e sobre a mentalidade dos indivíduos, funcionando como matéria-prima para ideias, julgamentos e decisões.  Também dependem do imaginário a previsão de cenários e a elaboração de estratégias condizentes com objetivos e finalidades. Estes, no entanto, nem sempre estão alinhados aos objetivos e finalidades do elemento causador da impressão no imaginário.  Exemplo: uma ideia contida em uma obra de arte pode ser aproveitada com um intuito diferente, e até mesmo oposto ao que tinha o artista quando a criou. 

Este exemplo do parágrafo anterior condensa uma infinidade de livros e filmes, em especial as narrativas da ficção científica futurista, seja ela distópica ou utópica. Nestas obras é comum encontrar o que parece ser uma previsão comparável a uma profecia, em alguns casos com uma riqueza de detalhes que chega a assustar. Mas será que eles estavam “profetizando” ou estavam influenciando? E esta eventual influência foi planejada ou inocente?


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