O Cérebro Global

Cultural

Alexandre Costa

Publicado em 06/10/2020

O documentário "Dilema das Redes" tem erros de interpretação derivados de uma compreensão distorcida, influenciada principalmente por uma mentalidade burocrática, que submete o direito individual em troca de um suposto benefício coletivo futuro.

Essa compreensão equivocada gera uma conclusão ainda mais perversa. Como entendem que cabe ao "representante" do coletivo, o Estado, a prerrogativa de oferecer um mundo perfeito, pedem uma legislação que centralize os dados, condição necessária para acompanhar a regulamentação. Em outras palavras, regulamentar será, na prática, transferir o poder sobre os seus dados, portanto da sua privacidade, para um conjunto de burocratas que nem sequer conhecemos.

Isso só vai criar formas de acessar os nossos dados. A regulamentação não vai proteger os nossos dados, ela vai expor nossas informações a um número ainda maior de pessoas. Os burocratas também terão mais capacidade de bisbilhotar a nossa vida, e as plataformas vão continuar fazendo o que sempre fizeram: coletar e classificar dados para a alimentar uma rede de algoritmos que sustenta todo sistema, seja do ponto de vista tecnológico ou financeiro. Regulação, no final, sempre acaba aumentando os impostos, enfraquecendo os direitos individuais, fortalecendo o establishment e, neste caso, enforcando a liberdade de expressão.

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