Você é muitos num só

Geral

Letícia Dornelles

Publicado em 06/10/2020

Fique sozinho. Olhe para si diante do espelho. Respire. Analise a expressão de seu rosto. Sem testemunhas. Você e seu reflexo. Você se reconhece? É exatamente daquele jeito que se percebe? O que a imagem diz de você? O olhar transmite paz ou angústia? Você parece sorrir ou sugere melancolia? Sua testa está enrugada, como se pensasse muito, mesmo ali, na solidão? Sente-se uma pessoa embrutecida, e maltratada pela vida, ou tem a leveza da mocidade, sem o peso nos ombros?

Há três pessoas na sua pele apesar de todas serem você. Uma é como você se percebe. Outra é como você é de verdade, mas talvez nem se conheça por inteiro. E a terceira é como outras pessoas lhe enxergam. E, se pensarmos de maneira mais ampla, você é milhares de pessoas dentro de um corpo. De uma imagem.

Cada um que cruzou o seu caminho teve uma percepção diferente de você. Sem contar as suas próprias mudanças diárias. O você de ontem não é o mesmo você de hoje. Muito aconteceu ou nada. E mesmo o nada fez você diferente de ontem. Talvez mais melancólico. Mais em paz. Ou sofrido. Maduro. Calejado pela vida. Pelos tombos. Feliz pelas conquistas. Vitorioso. Superou algo. Amou. Foi traído. Traiu. Alguém se encantou por você. Você esqueceu o antigo amor. Que asco só de pensar nele. Ou nela. Você talvez desistiu de fazer algo que até outro dia parecia que ia morrer se não fizesse. De repente, perdeu a importância. Ninguém é o mesmo de um dia para o outro, com uma longa noite no meio.

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