Para não esquecer

Brasil

Alberto Alves

Publicado em 22/09/2020

Escreveu certa vez o teólogo e filósofo norte africano Aurelius Agostinus, mais conhecido como Santo Agostinho: “A angústia de ter perdido não supera a alegria de ter um dia possuído”. A melhora no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb de 2019, divulgado nesse último dia 15, foi motivo de comemoração para a equipe do ex-ministro da educação Abraham Weintraub. No Ensino Médio foi onde teve o maior salto desde 2005. Simbolicamente, foi um diminuto passo para o MEC, mas um grande salto para os conservadores.

O Ideb é o principal indicador de qualidade da educação brasileira. Embora a melhora no Ensino Fundamental não tivesse sido significativa, haja vista que ele já vinha sendo avaliado com mais cuidado, foi no Ensino Médio que ela foi mais expressiva. Essa fase do Ensino é a mais crítica de todas, com altas taxas de desistência e baixíssimo índice de aprendizagem. Avaliado bienalmente, o Ideb em 2005 foi de 3,4, subindo para 3,5 em 2007 e 3,6 em 2009. Daí em diante permaneceu estagnado em 3,7 até 2015. Já em 2017 avançou para 3,8 e no ano passado chegou a 4,2. Um pouco abaixo da meta, que era de 5, mas acima do que vinha antes historicamente.

A principal razão da melhora foi o novo formato da avaliação, que passou a ser feita em todas as escolas a fim de saber quais eram dentre elas as melhores e as piores ao invés de fazer apenas uma análise por amostragem como antes, isso provocou uma competição entre as escolas e o resultado foi surpreendentemente imediato. Prova que, quando não há ideologia na metodologia do ensino os resultados aparecem.

Weintraub mexeu com o quartel-general da militância socialista. O pouco tempo que o ministro esteve no comando do MEC foi suficiente para provocar um incômodo geral e significativo em sua estrutura a ponto da reação ter sido bastante intensa, o suficiente para que o presidente da república ser forçado a concordar com a saída do ministro se quisesse dialogar com o congresso e buscar a paz com o judiciário dado a insatisfação com que sua administração estava provocando dentre os acadêmicos revolucionários.

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