Pandemia, Hollywood e a engenharia do medo

Cultural

Leônidas Pellegrini

Publicado em 14/09/2020

Ando pelas ruas e me deparo com a grande maioria das pessoas usando máscaras, até mesmo para exercícios ao ar livre, ainda que não haja obrigatoriedade desse uso. Máscaras no interior dos carros fechados. Gente tomando banhos de álcool gel ao entrar nos estabelecimentos ou ao sair de casa. Gente olhando feio para mim e minha esposa, por estarmos cometendo o crime de gozar de nossa liberdade sem as tais focinheiras. Conhecidos que encontro na rua me cumprimentando com toquinho de cotovelo. Um grupo de pré-adolescentes “amordaçados” se desvia de mim, na caçada, com um misto de espanto e terror. Uma criança de seus cinco anos, raivosa, na fila do supermercado, empurra meu carrinho para trás, por julgar que eu não respeitava o distanciamento adequado.

Sim, o mundo enlouqueceu. Ou melhor, enlouqueceram o mundo. No entanto, será que aconteceu de uma hora para outra toda essa loucura, toda esse paranoia que se apoderou de grande parte da população mundial, condicionando-a a aceitar todo tipo de ordem descabida por parte das autoridades e a adotar comportamentos e ações cada vez mais estúpidos, como um recente mutirão de “limpeza” coletiva do coronavírus no ar com sacolinhas plásticas? É claro que não. De maneiras diversas, as pessoas foram adestradas para isso. E uma das técnicas de engenharia comportamental de médio e longo prazos que tem sido mais eficaz é desenvolvida através da chamada indústria cultural, sobretudo em produções hollywoodianas que constantemente pintam cenários de catástrofes globais geradas pela disseminação de algum vírus letal.

O professor e filósofo Olavo de Carvalho, que há pelo menos duas décadas disserta sobre os diversos esquemas e técnicas de engenharia comportamental e alerta para seus perigos, tem repetindo ultimamente que, após esse novo e ousado experimento social com a “pandemia” da Covid-19, as coisas não voltarão a ser exatamente como eram há seis meses. Ou seja, mesmo com o fim de todas as medidas restritivas, determinados comportamentos de boa parte da população mundial serão outros, pois houve uma alteração na psique coletiva.

Em recente live com a professora Paula Marisa, Olavo afirmou que há décadas Hollywood vem “educando” o imaginário coletivo para as reações que tantas pessoas andam tendo agora, bombardeando o público com dezenas de produções sobre pandemias que ameaçam acabar com a vida no planeta. E, de fato, se buscarmos na memória algumas dessas obras e buscarmospor outras tantas em uma simples pesquisa, é possível vislumbrar um conjunto de filmes e séries que parecem mesmo compor um dos tantos “projetos educativos” da indústria cultural.

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