Covid: Uma nova revolta da vacina?

Cultural

Luiz Astorga

Publicado em 08/09/2020

Um número cada vez maior de pessoas tem afirmado, discreta ou abertamente, que se negará a tomar as vacinas cujo desenvolvimento tem povoado as pautas dos noticiários durante esta interminável surrealidade chamada 2020. Para uns, sedizentes “amantes da Ciência” (antigamente davam nomes feios a uma dama de quem se aproveitam tantos amantes...), a reação instantânea e óbvia tem sido reconhecer naquelas pessoas o arquétipo do obscurantismo tacanho, da ignorância “medieval” que para eles representa o brasileiro conservador: um homem provinciano, um fanático religioso que, tivesse uma fogueira, nela queimaria todas as descobertas que alçaram do lodo a humanidade. 

Embora obviamente uma caricatura forçada, quem a pinta traz em sua defesa o precedente histórico das revoltas de 1904, e se compraz em comentar como aquelas pessoas seriam uns pobrezinhos inclinados ao medo e à irracionalidade, mas que teriam “finalmente visto a luz” em 1908, quando o número de vacinações voluntárias subiu consideravelmente. Pouco se comenta que o estopim da revolta — a declaração e imposição da obrigatoriedade — interrompera já em 1904 um ritmo modesto mas até crescente de vacinações voluntárias. A questão, portanto, não era tão simples, assim como não o é nos dias de hoje.

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