Arenas Digitais e Política

Brasil

Publicado em 28/07/2020

Em 130 anos de República, registro apenas dois presidentes com algum compromisso com o conservadorismo: Rodrigues Alves e Afonso Pena. Ambos colegas de sala na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, integraram o Conselho do Império, e Pena chegou a ser o único presidente eleito que integrou o Gabinete Imperial de S.M. Dom Pedro II.

Pena militou de 1847 a 1889 no extinto Partido Conservador do Império. Católico ferveroso, fez de sua prática confessional uma bússula para suas ações políticas. Não terminou o seu mandato (faleceu de pneumonia antes), era orador brilhante e, em contraposição a Rui Barbosa, que queria a “velha oligarquia” no poder (na verdade, mais “oligarquia velha” do que o inverso...), investiu na força dos jovens conservadores para construir a política em seu governo. Formado quase na totalidade por jovens desconhecidos, entregou um dos sete ministérios, o das Relações Exteriores, ao gigante José Maria da Silva Paranhos Junior, o Barão do Rio Branco – decano do governo Pena e autoridade intelectual em pessoa, figurando ao lado de jovens como Augusto Tavares de Lira e Miguel Calmon du Pin e Almeida.

Já Rodrigues Alves, o 5º Presidente da República (Pena foi o 6º), figura entre os gênios da política brasileira, esquecido tal qual Dom Pedro I, em meio a uma horda de ignorância, obscuridade e desleixo com a nossa história.

Alves foi o único presidente a ter sido reeleito para um segundo mandato, e só não assumiu porque veio a falecer antes da posse, abrindo um precedente que ao tempo de Tancredo era absolutamente desconhecido. A operação jurídica (de todo, ilegal, a meu ver) que deu posse a Delfim Moreira foi semelhante àquela que deu posse a Sarney no lugar do então enfermo Neves, sem que a chapa tivesse assumido para legitimar uma sucessão.

Conteúdo exclusivo para assinantes

Para continuar lendo e ter acesso a esse conteúdo exclusivo, assine clicando abaixo.

Assinar