O Triunfo do Medo

Geral

Alberto Alves

Publicado em 21/07/2020

Já dizia o poeta português Luís Vaz de Camões: “nos perigos grandes, o temor é muitas vezes maior que o perigo”. Há exatos 666 anos após o fim do pico da Peste Negra na Europa, trazida da China pela rota da seda até a Crimeia, e de lá pelas caravanas marítimas através do Mediterrâneo, que aportavam nas cidades costeiras, surge, também vinda de lá, uma nova pandemia. Esta não causou tantas mortes como da outra vez, mas trouxe consigo algo que colocou todos dentro de suas casas, esvaziando cidades inteiras e colocando novamente de joelhos a Europa e todo o resto do mundo: o medo.

Provocada pela bactéria Yersinia pestis, a Peste Bubônica era transmitida de duas formas. A primeira, através da pulga Xenopsylla cheopis, que se infectava ao picar roedores contaminados. Seu aparelho bucal se entupia com o excesso de bactérias acumuladas lá e isso provocava a necessidade delas buscarem outras fontes de alimento. Era então o momento que elas pulavam nos humanos e os contaminavam tentando se alimentar de seu sangue. Uma vez dentro da pessoa, a bactéria provocava o chamado bubão (daí o nome peste bubônica), que era o inchaço dos linfonodos, o lugar por onde as bactérias eram drenadas, gerando bolas grandes e avermelhadas nas virilhas, axilas e pescoço, dependendo da região onde a pessoa era picada. Outros sintomas eram febre alta, muitas dores de cabeça e confusão mental.

Ainda havia, nesse estágio, chances do paciente sobreviver. No entanto, quando a bactéria caía na corrente sanguínea a doença ficava ainda mais grave. Ela se espalhava para os órgãos e provocava hemorragias internas e externas, nas quais apareciam manchas negras – por isso também a doença era conhecida como peste negra – e que eventualmente gangrenava. Ou seja, apodrecia algumas partes do corpo. As chances de sobrevivência nesse estágio era extremamente remota.

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