Vírus do autoritarismo e do atraso

Brasil

Claudia Wild

Publicado em 21/07/2020

Enquanto o mundo enfrenta a famigerada pandemia, o Brasil, além dela, enfrenta, também, outra grave situação: uma endemia de autoritarismo e atraso. A última, porém, é mais resistente e de difícil combate, posto que sua transmissão se deu de forma generalizada entre os homens públicos da República. Seus infectados são imunes à vacina (devido à estabilidade funcional) e outros só deixarão de apresentar a doença quando forem aposentados por meio da desinfecção nas urnas.

O que se vê no Brasil é constrangedor. De um lado, poderosos abusam, descaradamente, do poder que lhes foi conferido mediante voto, escolha apadrinhada ou concurso público para perseguir e solapar os direitos mais comezinhos dos cidadãos, sejam eles o direito de ir e vir, manifestação do pensamento ou até responder por um processo lastreado na legalidade e nos fatos. Deixaram a aparência de lado. Nosso simulacro de democracia foi desmascarado em tempos de pandemia que exige o uso de máscaras.

Não bastou a criação de um super inquérito inconstitucional, que começou com a censura de uma revista e que desembocará na censura dos brasileiros. Perdeu-se a vergonha de promover o indefensável. Dilaceraram o ordenamento jurídico brasileiro para colocá-lo de joelhos diante da pirraça ideológica de uma patota que não aceita ter perdido o protagonismo e a chave do cofre. Muito embora o Brasil tenha aposentado parte de uma cambada petista e seus agregados, a outra parte dela (e sua nefasta ideologia) já estava enraizada em cargos públicos relevantes que fazem, de fato, a roda do poder girar. A vítima da engrenagem é uma só: a combalida democracia brasileira, que, até então, vivia em paz no seu sacrossanto arremedo devido a conchavos e cambalachos, em que dividiam butins, e ao cinismo da suposta luta por um “país melhor, com mais justiça social e democracia”.

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