Anestesiados

Geral

Letícia Dornelles

Publicado em 14/07/2020

Como tem sido a sua rotina durante a pandemia? A maioria das pessoas cumpre a quarentena trancada em casa e em isolamento social. Vejo relatos de gente que não sai de casa e nem vê a família há cem dias. Quase uma prisão domiciliar. Numa solitária. Sem direito a banho de Sol. Sem contato com outro ser humano. Uma pena cruel e devastadora para o emocional.

Não é apenas uma questão de quem tem consciência social e sanitária. Nem de quem quer a saúde de todos. Não é só uma questão de querer. É privilégio. Fica em casa quem pode. Quem tem salário garantido no fim do mês. Quem não corre risco de demissão. Quem não precisa se preocupar com o sustento da família, com a escola do filho, com a comida na mesa.

O cidadão comum não tem esse luxo. Precisa dar a cara a tapa. Enfrentar as ruas e os tais perigos do terrível Coronavírus. Precisa buscar o pão de cada dia. Sem contrato de trabalho, na vida informal, sem a certeza de que o dia será rentável, sem vínculo vitalício como os servidores públicos.

O cidadão comum não pode se dar ao luxo de ficar em casa fazendo maratona de séries, pedindo comida pelo aplicativo, virando a noite em bate papo virtual e curtindo lives de cantores ricos e famosos. Lives patrocinadas. Em quarentena lucrativa.

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