O pensamento filosófico de Farias Brito

Cultural

Tom Martins

Publicado em 07/07/2020

Conjuntamente com nossos leitores, analisaremos três textos sobre Raimundo de Farias Brito que merecem reflexão opositora ao materialismo (seja ele político ou supostamente científico) que destrói os padrões éticos e valores estruturais da nossa sociedade. O primeiro deles, o material didático fornecido pela Universidade Católica de Brasília (UCB), intitulado Filosofia no Brasil Republicano, particularmente nos trechos sobre o filósofo cearense ora destacado sob o título “Farias Brito e o Espiritualismo”; o segundo, “A ética em Farias Brito”, do professor Márcio José Andrade da Silva¹; por fim, alguns destaques da obra O Mundo Interior, de autoria do próprio autor em estudo.

Num segundo momento, passei a registrar alguns dados desse autor, que passo a compartilhar. Raimundo de Farias Brito, nascido na cidade de São Benedito no ano de 1862 e falecido em 1917, com 54 anos, no Rio de Janeiro, teve como seu trabalho notável a citada obra O Mundo Interior. Pertenceu à tradição espiritualista (ou antimaterialista, como queiram), o que me convidou a focar meu olhar e estabelecer meus filtros através desse corte para essa pesquisa e trabalho filosófico.

Patrono da cadeira 31 da Academia Cearense de Letras, caminhou por várias perspectivas transcendentes no combate ao materialismo e suas vertentes positivistas, firmando posição altiva em sentido contrário. Ou seja, assumindo corajosamente uma cosmovisão contrária ao materialismo exaltado radicalmente em sua época.

Politicamente, Farias Brito condenou a Revolução Francesa, o liberalismo, o individualismo, a democracia e o socialismo. Considerou o liberalismo como fomentador do socialismo e do positivismo. O individualismo trouxe-nos o egoísmo e desaguou no materialismo fratricida. Esse autor teve a lucidez e a coragem para analisar e condenar Comte (ditadura científica), Spencer (naturalismo individualista) e Marx (socialismo coletivista, fanatizador e ceifador da individualidade, o que José Ortega y Gasset bem denominou de “homem-massa”). Embora anticomunista declarado, Brito defende o patrocínio do Estado a garantias mínimas de subsistência para os mais necessitados.


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