Velho Chico

Brasil

Letícia Dornelles

Publicado em 30/06/2020

"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem."

Guimarães Rosa soube como poucos ler e entender a alma do povo brasileiro. Do homem simples que luta de sol a sol por alguma comida na mesa, pela saúde dos filhos, pela sobrevivência, por um mínimo de dignidade na rotina. Daquele que não recebe um olhar mais carinhoso da elite. Do que não tem uma mão amiga nas horas difíceis. Do solitário. Do sofrido. Do desassistido.

Desde criança, vejo políticos ganharem eleição utilizando a seca do sertão como palanque. “Vou trazer água!”, grita um. “Vou irrigar sua horta!”, ilude outro. “Vou matar a sua sede!”, mente o mais asqueroso. Ano após ano e nada é feito.

Água só da chuva que Deus manda.

O primeiro sertanejo a ouvir a promessa de água para matar a sua sede e regar a sua horta deve ter morrido sem saber o que é a felicidade dessa benção. Morreu sem ter as suas preces atendidas. Morreu iludido.

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