Não Guarde Mágoas

Comportamento

Letícia Dornelles

Publicado em 23/06/2020

Não guarde mágoas. Guarde nomes. É o valioso conselho de uma das maiores e mais bem escritas vilãs das novelas mexicanas, Paola Bracho, de A Usurpadora. Guarde esse precioso conselho. As vilãs são boas conselheiras. Não digo para ouvi-las porque você deva seguir os passos dessas personagens. Ao contrário. Siga no caminho do bem. Mas você precisa aprender a se defender desse tipo de personagem. Na vida real.

Acima de tudo, as vilãs são estrategistas. Jogam xadrez. Veem duas jogadas adiante. Não agem de impulso ou sem pensar. Planejam. Observam como cobras silenciosas a hora certa de dar o bote. Não avisam que vão dar o bote. Atacam de surpresa.

A mocinha tola acredita que a vida é bela, que todos à sua volta são legais, que atuam com respeito, ética e transparência, que desejam a sua felicidade e o seu sucesso. E, que se alguém planejar algo contra ela, vai avisar com antecedência. Tipo aviso prévio de empresa. A mocinha pensa que vai receber uma carta da vilã avisando: “Vou ser malvada na semana que vem, às três da tarde. Prepare-se”.

A vilã age. A mocinha reage. A vilã movimenta a trama. A mocinha corre atrás do prejuízo para não se danar inteira. Mas nem sempre o final é feliz. Nas novelas, há o maniqueísmo de o bem ser desenhado nítido e explícito, sem qualquer desvio de conduta. Assim como a vilã é mostrada inteira para o público na tela. Mas falamos de vida real. O mal vence. Muitas vezes. Sem trégua. E ainda consegue colocar o rótulo de vilã na coitada da mocinha.

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