Memória e Informação

Comportamento

Letícia Dornelles

Publicado em 09/06/2020

Estou acostumada a realizar palestras em auditórios lotados. Viver a ansiedade de estudar o tema, me preparar, me deslocar para o local, aguardar o público chegar e se acomodar nos lugares diante de mim. Ouvir perguntas, olhar nos olhos, responder. Sentir o calor do momento. Os prós e os contras lado a lado.

Em tempos de Coronavírus, tenho participado de debates virtuais. A sensação é de extrema frieza. É inquietante não ter pessoas no auditório. O termo “encontro” pressupõe presença. Olho no olho. Energia sendo trocada. Experiências de vida lado a lado. Histórias compartilhadas. Comentários diretos.

Estamos nos adaptando a uma realidade que não pedimos. Que não sonhamos. Que não desejamos a ninguém. Que nos assusta. Que nos impede de conviver fisicamente, de sentir a presença do outro, tão necessária ao psiquismo, à saúde mental, ao equilíbrio emocional, ao desenvolvimento pessoal. E que torna o ser humano social. Civilizado.

Hoje estamos limitados ao mundo virtual. Aos quadradinhos das telas. Observando o outro de longe. Vendo a vida passar na janela. E o tempo caminhar devagar. Estamos restritos a “encontros” sem presença humana.

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