Em defesa da Ciência

Geral

Alberto Alves

Publicado em 12/05/2020

Um dos maiores nomes da literatura brasileira, Machado de Assis, disse certa vez: “a dissimulação é um dever quando a sinceridade é um perigo”. O conhecimento científico moderno é, sem dúvida, o conhecimento mais utilizado nos tempos atuais quando se quer transmitir credibilidade ao ouvinte, mesmo que ele, em princípio, não entenda nada do que está sendo apresentado. É também o instrumento mais suscetível à dissimulação, principalmente quando vem associado à instituições e ideologias que tentam cooptar a opinião pública leiga em favor de sua causa.

A ciência moderna é um produto direto da cultura cristã. Pouco se fala a respeito, mas o fato dela ter nascido na Europa do Século XVI não foi mera coincidência. A fé cristã concedeu as bases fundamentais para o florescer da ciência na cultura ocidental. Isso ocorreu ao apresentar-lhe o mundo como o produto natural de um Criador transcendente, que o trouxe à existência, e não um ambiente divino ou habitado por espíritos como as religiões orientais e animalistas, em geral, defendem. Nesse contexto, o mundo é um ambiente aberto a exploração e descobertas, o que permite observações orientadas por argumentos racionais, mediante o uso de instrumentos técnicos como telescópios e microscópios. Terreno fértil para o estabelecimento da ciência moderna e seu desenvolvimento.

O método científico é o padrão de conduta utilizado para criar o conhecimento científico. É a lógica aplicada à ciência que permite encontrar leis da natureza com a máxima segurança possível. Os cientistas primeiro observam um fenômeno e tentam, como dizia o americano Richard Feynman, prêmio Nobel de Física, “adivinhar” a lei que está por trás dele mediante o lançamento de uma hipótese. Em seguida, calculam as consequências do seu chute para ver se a lei proposta está correta e observam suas implicações. Eles então comparam os resultados calculados com o experimento. Ou seja, comparam com as observações para ver se funciona. Se discordar do experimento, a hipótese está errada e precisa ser reformulada até encontrar a lei que melhor descreve o fenômeno estudado.

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