Quem mandou matar?

Brasil

Letícia Dornelles

Publicado em 12/05/2020

Nos meus trabalhos como autora de televisão, sempre tive a sorte de contar com bons atores. Que sentem o personagem. Vivem a realidade fingida e inventada. Entregam-se de corpo e alma às tramas.

Dizem que alguns atores apenas interpretam a si mesmos. Que os personagens mudam, mas eles dão sempre o mesmo tom. São os maus atores. Os bons sabem criar nuances, e transmitem o pensamento do novo personagem com a força do olhar, na respiração, no gestual, na expressão corporal. Mais do que decorar, eles estudam o texto. Compreendem a história. Marcam de onde o personagem veio e para onde vai. A evolução ou a involução que se precisa evidenciar nos detalhes.

Por vezes, os atores se queixam de que são escalados sempre para os mesmos tipos. O naturalmente engraçado fará apenas comédia. O tiozão do churrasco jamais fará o rico elegante. A perua será sempre a fútil. A sexy burra não conseguirá ser escalada como mãe sofrida e oprimida ou como presidente de algum império. O ator que interpretou o rapaz bonzinho, ingênuo, acéfalo e sem noção será sempre escalado para papéis semelhantes. Jogam a culpa no diretor, no autor que pensou neles quando escreveu os personagens. Alguns conseguem virar o jogo e sair da comédia para o drama nas escalações. Mas é raro.

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