Um cabo e um soldado

Judiciário

Luiz Astorga

Publicado em 05/05/2020

Assistimos atualmente no Brasil à implementação de um golpe de Estado claramente delineado há meses, quando certos integrantes do Legislativo e do Judiciário – aqueles de modo ostensivo e estes com alguma discrição – sugeriam medidas e linhas de ação que resultariam no esvaziamento e neutralização do Executivo.

Como se sabe, o povo brasileiro, ao eleger Jair Bolsonaro, o fez na intenção de vê-lo não apenas vencer este ou aquele problema, este ou aquele partido, mas todo um estamento que, por mútua sustentação, torna praticamente inviável que o país se livre da corrupção endêmica que o paralisa, assim como da tirania política organizada que fomenta esta corrupção e dela se alimenta. O problema não se encontra tanto na estrutura formal do poder, mas na matéria falida que a condena. O problema não está nas instituições legislativas e judiciárias, mas na maioria que hoje irremediavelmente as controla. Ao dizer aqui, portanto, “Congresso” ou “STF”, não significo com isto as instituições em si, mas certa matéria humana predominante que as enferma de modo terminal.

A incógnita que permanecia no horizonte era se o presidente teria de fato uma massa crítica institucional que lhe permitisse atuar e reverter esse quadro; daí a enorme ênfase que se dava à eleição de uma base de apoio parlamentar. Lamentavelmente, uma parte significativa dos apoiadores nominais de Bolsonaro se mostrou oportunista e desleal, e terminamos com um Congresso quase tão hostil quanto antes, à exceção de um punhado de heróis notáveis que por infelicidade são voto vencido naquela casa.

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