O Dia do (Não) Fico: a cronologia

Executivo

Rafael Fontana

Publicado em 28/04/2020

- Sexta-feira, 24 de abril, 9 horas da manhã: brasileiros em quarentena descobrem, sobressaltados, pela mídia tradicional, que o ministro da Justiça, Sergio Moro, irá anunciar sua demissão em uma entrevista coletiva marcada para as 11 horas daquela mesma manhã.

Mães ligam para filhos, tias do Zap acionam sobrinhas do Zap, todos aflitos em busca de mais informações e torcendo para Moro ficar. Afinal, um herói nacional não pode cair assim. Seria o fim do governo, impeachment certo, um racha na base, um trunfo para aqueles que desejam retomar o poder para se servirem dos cofres públicos.

No dia anterior, o Planalto já havia desmentido os jornalistas quanto à demissão do ministro. Os brasileiros que apoiam este projeto de governo esperavam, naquela manhã de sexta-feira, o mesmo desfecho.

- 11h: começa a entrevista do herói nacional, o juiz que combateu a corrupção, liderou a Lava Jato e condenou ladrões em Curitiba. Na posição de ministro, ajudou a derrubar a criminalidade, a aumentar a apreensão de drogas, isolou líderes do crime organizado e se cacifou para um assento no STF. Ou, apostavam muitos, despontava para a Presidência da República.

Dez em cada dez aparelhos de TV estavam sintonizados na figura de um Moro ora firme, ora hesitante, em certos momentos inseguro. Cada minuto parecia uma hora, e a cada minuto-hora aumentava a tensão de quem assistia à entrevista coletiva, sem uma indicação clara da saída do ministro. Entre acusações contra o governo e tiros contra o presidente da República, finalmente tornou-se pública a decisão: diga ao povo que NÃO FICO.

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