Quando o martelo não é suficiente

Cultural

Alberto Alves

Publicado em 31/03/2020

Já dizia o psicólogo americano Abraham Maslow: “quem é bom com martelo acha que tudo é prego”. Que a educação brasileira tem suas graves deficiências não é novidade para ninguém, mas seus reflexos sobre as decisões que afetam o destino do país não parecem igualmente conhecidos. Também não é novidade que muitas decisões tomadas no exterior, alheias à nossa realidade, influenciam diretamente o nosso estilo de vida, quando deveríamos ser nós os guias do destino do país. Isso se a educação brasileira não fosse tão deficiente.

Até os anos 1920, a educação brasileira era muito usada como distintivo de classe para os detentores do poder econômico e político do país. Era também o principal trampolim para a ascensão social que permitia ao indivíduo de classe mediana integrar-se ao círculo dominante. Ou seja, conhecimento gerava poder. Foi então que, a partir de 1930, foi com a criação do Ministério da Educação e Saúde, motivada pelo esforço para a industrialização, que esse cenário começou a mudar. A fusão das instituições de ensino superior, até então isoladas, estruturou as universidades em um sistema integrado, o que acabou por inibir uma das suas melhores qualidades: a diversidade no modo de ensinar.

Para efeitos didáticos, o estudo das ciências naturais e humanas é dividido em disciplinas (Física, Química, Psicologia etc), sendo que cada uma busca ser responsável por um objeto de estudo em particular. O que não é uma tarefa muito simples, dada a complexidade existente na natureza. De fato, isso facilita o aprendizado e permite que os fenômenos sejam melhor assimilados. No entanto, é comum os professores esquecerem que tais divisões são meramente uma convenção humana. Num sistema de ensino deficiente como o nosso, isso acaba se transformando num grande problema, levando os estudantes - os futuros profissionais - a achar que a realidade se limita apenas àquilo que eles conseguem assimilar dentro da suas especialidades.

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