Coronavírus: duas realidades paralelas

Brasil

Tom Martins

Publicado em 31/03/2020

A primeira realidade é que o vírus existe e mata pessoas. Simples assim. Nossos irmãos italianos que o digam. A segunda delas é que a paralisação atual não pode se alongar por muito tempo, sem também matar pessoas pelos respectivos e trágicos reflexos. Seja pelo ameaçador desabastecimento, seja pelo aumento da desnutrição, da violência urbana, ou pela iminente e dramática majoração do número de desempregados e miseráveis.

Um dos mais caros valores das pessoas de bem é a vida humana, tanto nossa como de nossos semelhantes. Esse princípio ético precede qualquer sistema econômico. Todavia, a falência do sistema econômico também repercutirá em mortes e sofrimentos por falta de saneamento básico, serviços essenciais, manutenção de hospitais e uma miríade de questões de gravíssimas consequências.

Portanto, temos um impasse. Não se trata de “vidas versus economia”. Na verdade, estamos diante de dois males terríveis, e a avaliação do problema deve compor a questão “vidas versus vidas”.

Enfim, analisarei as duas hipóteses: 1. Manutenção da paralização. 2. Retorno as atividades econômicas. Notem que em ambos os casos teremos mortes. A primeira hipótese poderá causar sofridas mortes pelo aumento dos infectados. A segunda também poderá causar mortes de uma legião de miseráveis e desnutrição de uma população carente, que ficará ainda mais exposta a todos os tipos de doenças letais, inclusive pelo próprio vírus que desejamos combater.

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